quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Marcelo Todescan - Uma Nova abordagem do Designe - A New Concept in Design

Um novo conceito em design

Sustentabilidade talvez seja a palavra mais falada e o conceito mais discutido neste início de milênio. Já é consenso que o ser humano é o responsável pelas mudanças climáticas que acontecem no mundo: se todas as pessoas tivessem um padrão de consumo parecido com o dos países desenvolvidos, seriam necessários cinco planetas Terra para dar suporte à vida!

Ser ator ou espectador? A escolha depende de cada um de nós.

Quem escolhe ser ator e decide agir para mudar sabe que a solução passa por uma consciência de consumo. O grande desafio é: como manter um estilo de vida confortável sem comprometer as gerações futuras?

Para os atores, este é um momento criativo, uma oportunidade de mudança, onde podemos rever nossos conceitos de consumo e relações.

Atenta a essa nova realidade, a Todescan Siciliano Arquitetura, empresa com mais de 20 anos de atuação e referência no desenvolvimento de projetos sustentáveis de arquitetura, é reconhecida por oferecer opções para essa nova demanda, cada vez mais exigente em relação à sustentabilidade.

Prova disso é a Casa da Granja: mais do que um simples projeto de arquitetura, a casa traz uma abordagem do design consciente revestida de estética e funcionalidade. O projeto foi idealizado por Andréa Palma, que sonhava em ter uma casa cuja construção respeitasse o meio ambiente. Andréa e o marido procuraram um local onde pudessem criar os futuros filhos com muita qualidade de vida e escolheram o bairro Granja Viana. O local, de classe média alta, está localizado a 26 km do centro de São Paulo e é privilegiado pela natureza.

A Todescan Siciliano encarou o desafio proposto por Andréa e encontrou nos aspectos sociais, ecológicos e econômicos (pilares fundamentais nesta visão de mundo sustentável) as diretrizes que guiaram todo o processo de construção da casa.

A Casa da Granja foi pensada como parte do ecossistema que, por sua vez, pertence a uma rede interdependente, na qual os elementos água, ar, terra e sol, bem como seus fluxos e as espécies de vida foram levados em conta.

Seria muita pretensão afirmar que a casa é 100% ecológica. Porém, é fato que realizamos 110% do que seria viável diante das limitações, como local, legislação, disponibilidade de fornecedores no Brasil, entre outras.

Telhas de demolição e de material reciclado compõem a cobertura. Na estrutura e nas esquadrias foram usadas madeiras certificadas e de reflorestamento. Nas paredes de pau-a-pique optou-se pela técnica japonesa "Tsuchi Kabe”, que consiste em um gradil de talas de bambu amarradas com fio de sisal e reforçado por sarrafos de madeira. Sobre esse gradil é aplicada uma mistura curtida de barro com palha de arroz em diversas camadas. Ao final as paredes recebem uma pintura a base de cal.

A casa foi projetada para qualquer tipo de clima: essa técnica de construção com barro é encontrada de norte a sul do Brasil e também em outros países.

O esgoto é tratado biologicamente por meio de biodigestores e o gás gerado é usado na cozinha. A água de banho é aquecida com energia solar e as lâmpadas e eletrodomésticos são de baixo consumo. O jardim permacultural conta com pomar, horta mandala e composteira.

A dimensão social caracterizou-se nos mutirões, unindo familiares, vizinhos, amigos e trabalhadores, quando tiveram a experiência de construir juntos essa casa dos sonhos. Pessoas que não se conheciam, criaram, a partir daí, uma relação social mais saudável.

E ainda, a obra foi executada por equipes formadas basicamente por familiares, ou seja, havia primos, irmãos e tios trabalhando juntos.

Do ponto de vista econômico, demos preferência ao consumo local de mão-de-obra e materiais. O custo da construção saiu o equivalente a uma casa convencional (cerca de R$ 170 mil). Dessa forma, desfaz-se o paradigma de que o ecologicamente correto é mais caro. Continuaremos com o projeto, pois no mesmo lote, serão construídas mais duas casas semelhantes para outras famílias, além de uma área de lazer, com piscina, salão de jogos e atelier – sempre nos mesmos moldes, integrando e respeitando a natureza.

Assim foi o processo de construção da Casa da Granja, equilíbrio entre o tripé “Tarefa-Relacionamento-Processo” cuidando das relações entre funcionários, proprietários, arquitetos e vizinhança. Tarefa cumprida com qualidade e alegria, afinal se não for divertido não é sustentável!

Num futuro próximo, pensamos em construir condomínios sustentáveis, onde pretendemos utilizar a economia de escala e, consequentemente, reduzir os custos. O próprio governo já se interessa por iniciativas como essa: em 2006, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente de São Paulo trouxe para a cidade o curso de design ecológico “Gaia Education”, ministrado pelos sócios da Todescan Siciliano Arquitetura, Marcelo Todescan e Frank Siciliano – mais uma prova de que o termo “sustentável” veio realmente para ficar na construção civil.
A Todescan Siciliano Arquitetura integra o CRIS ( Centro de Referência e Incubadora de Sustentabilidade) que foi desenvolvido pela crença de que o futuro do planeta depende dos seres humanos utilizarem seu conhecimento de forma a encorajar o desenvolvimento sustentável, através de uma harmoniosa e equilibrada interação com o meio ambiente.
Guiados pela missão de transformar a consciência global, disponibilizamos de um complexo sistema que integra diferentes áreas de atuação, de arquitetura sustentável a tratamento biológico de água e esgoto. Dessa forma, oferecemos projetos completos demonstrando que o desenvolvimento econômico e proteção ambiental são objetivos totalmente compatíveis. Proporcionamos a cura dos desequilíbrios que são gerados entre a esfera humana e a esfera natural do meio ambiente, durante o curso do desenvolvimento.
Autor: Marcelo Todescan, Arquiteto
Sobre a Todescan Siciliano Arquitetura:

É uma empresa, com mais de 20 anos de atuação, referência no Desenvolvimento, Consultoria e Gerenciamento de Projetos Sustentáveis de Arquitetura, Interiores e Urbanismo.

Com parceiros e clientes nacionais e internacionais oferece soluções diferenciadas para todos os segmentos. A empresa tem destacada presença nos eventos da Casa Cor.

Em mais de 20 anos atendendo a rede McDonald’s conquistou um dos mais importantes prêmios internacionais, que reconhece e distingue as melhores equipes de trabalho em todos os 120 países onde o McDonald’s atua.

A empresa atende Clientes de renome, tais como: Banco do Brasil, Unibanco, Telefônica, Laboratórios Fleury, Basf, Ogilvy, Instituto Bacarelli, entre outros.

São mais de 350 projetos, desenvolvidos e executados superando 280.000 m2.

Na área da sustentabilidade trabalha há mais de 5 anos com organizações internacionais (Global Ecovillage Network - GEN) e Gaia Education. Como fruto desta experiência, desenvolveu um Projeto Conceitual de uma Ecovila que foi apresentado com enorme sucesso e reconhecimento na Universidade de Oxford, Inglaterra.

UBV FECHA PARCERIA COM CRIS - CENTRO DE REFERÊNCIA E INTEGRAÇÃO PARA A SUSTENTABILIDADE

UBV FECHA PARCERIA COM CRIS - CENTRO DE REFERÊNCIA E INTEGRAÇÃO PARA A SUSTENTABILIDADE

A empresa, preocupada com questões sócio-ambientais, contribuiu com vidros para a criação de mais um espaço do projeto

A UBV, líder no mercado de vidro plano impresso, estabeleceu parceria com o CRIS - Centro de Referência e Integração para a Sustentabilidade, na construção do CES, uma nova edificação do projeto, localizada em Santa do Parnaíba.

O CES - Centro Educacional em Sustentabilidade é o resultado da parceria entre a Fundação AlphaVille, a Prefeitura de Santana de Parnaíba e o CRIS. A inauguração será realizada no próprio espaço no dia 10 de outubro, que posteriormente será doado para a cidade.

O vidro escolhido para o projeto foi o Astral, aplicado em janelas, portas e paredes. Devido a sua transparência, este padrão permite que a luz natural penetre no ambiente e ainda é possível contemplar a bela paisagem do local, proporcionando bem estar a todos.

Por se tratar de um projeto despojado, a consultora e gestora do projeto Denise Mazeto garante que o padrão de vidro foi escolhido corretamente. O design criativo e o aspecto molhado do padrão fizeram a diferença no projeto. "Escolhemos o vidro UBV não só pela beleza, mas também pelas questões ambientais, já que contém um elevado conteúdo de vidro reciclado", acrescenta.

"Para a UBV, a participação neste projeto é importante, pois enfatiza o conceito de sustentabilidade agregado na aplicação dos vidros UBV nos ambientes", afirma Sandra Sernaglia, gerente de marketing da empresa.

Integração de sistemas é o novo desafio da sustentabilidade

Integração de sistemas é o novo desafio da sustentabilidade


Opinião é do engenheiro escocês Michael Shaw, que também apresentou no Brasil tecnologias sustentáveis para o tratamento natural de água e esgoto

Foto: Envolverde

Shaw é diretor do The Ecovillage Institute, um centro internacional de engenharia e design ecológico com sede na Findhorm Ecovillage, na Escócia

03/06/2008 - Um público muito atento ouviu o engenheiro escocês Michael Shaw relatar, nesta terça-feira (02/06), que visitou há pouco a China, onde uma prefeitura pediu-lhe ajuda para transformar a cidade na “mais verde” do país; já na Escócia, onde vive, acaba de ser aprovado um grande fundo para as as cidades que estão adotando políticas sustentáveis frente aos novos tempos de aquecimento global, as chamadas “cidades de transição”; e Porto Alegre, a cidade do mundialmente famoso José Lutzenberger, citado por ele, promove uma Semana do Meio Ambiente em que é chamado para falar da sustentabilidade.


Não são fatos isolados, comentou, configuram isto sim um momento crucial no mundo, em que as mudanças climaticas e a crise energética pressionam por saídas urgentes e fazem emergir um cultura da sustentabilidade. “O pico (do uso) do petróleo está nos levando a uma cultura da sustentabilidade, a uma necessidade da sustentabilidade, na energia, na produção de comida, nos transportes, na forma como lidamos com nossos resíduos, e é importante que tudo isso seja integrado num sistema único”, afirmou.

Shaw é diretor do The Ecovillage Institute, um centro internacional de engenharia e designer ecológico com sede na Findhorm Ecovillage – a mais famosa ecovila do mundo – na Escócia, onde vive há 15 anos. ”Este é um momento de transição e o desafio é sermos propositivos, não há mais tempo para ficarmos presos a velhas fórmulas. Nos próximos 30 anos teremos de diminuir 55% a emissão de gás carbônico, hoje se emite três toneladas/ano por pessoa, principalmente na América do Norte e Estados Unidos”, destacou.

”Como fazer isso? Com cortes no uso de energia, menos uso de combustíveis fósseis, baixa produção de carbono”, respondeu. “Precisamos, então, pensar e planejar para a sustentabilidade”, acrescentou, observando que seis graus a mais na temperatura global já fariam desaparecer debaixo d'água Porto Alegre e o lugar onde ele mora.

Tratamento Natural de Água e Esgoto


A seguir, apresentou o que é a sua grande especialidade, o tratamento natural/sustentável de água e esgotos, apenas com recursos biológicos, sem nada de produtos químicos, como as plantas com raízes onde se multiplicam bactérias que retiram os poluentes da água, microorganismos diversos, pequenos peixes e brita.

Projetos assim ele já implantou nos Estados Unidos, Ìndia, China, países da Europa e numa grande fábrica de alimentos para animais em São Paulo. Tudo a um custo de investimento bem menor, com menos ou até nenhum consumo de energia, sem cheiro (!) e de manutenção mais fácil que as convencionais lagoas de decantação, onde são empregadas grandes quantidades de substâncias químicas, com alto consumo de energia e funcionamento complicado.

O investimento e o custo de manutenção variam conforme a disponibilidade de terra e o tipo de poluição da água. Existem então dois sistemas básicos de tratamento sustentável, explicou, um para regiões com bastante terra disponível e outro para áreas menores, como dentro de cidades, onde os sistemas precisam ser compactos. Onde há bastante terra, como em praticamente todas as cidades como Brasil, a engenharia é muito simples, pode-se usar áreas alagadas, como a construção de uma “piscina”, a um custo muito baixo para o tratamento da água e do esgoto.

À medida que os sistemas ficam menores, mais compactos, por falta de áreas disponíveis, onde a terra é cara, é preciso uma outra técnica, mas nunca mais cara que as tradicionais, assinala. “Não há custo de produtos químicos, a geração de lodo é muito pequena, o que torna a manutenção muito simples, e ainda tem uma beleza, são sistemas muito bonitos (por causas das plantas)”, explica. “Se a terra custar menos de um milhão de dólares o hectare (isso mesmo, um milhão de dólares) o sistema natural sempre vai ser mais barato”, garantiu.

E pode funcionar no meio de uma cidade, de um bairro, pois não exala mau cheiro algum, já que as bactérias são aeróbicas – usam oxigênio para se multiplicar. Na fábrica de Mogi Mirim, por exemplo, o sistema natural funciona há nove anos com um grau de eficiência de 99,98% na taxa de retirada de poluentes. Num hospital de Anantapur, na Índia, que faz tratamento de portadores de HIV, usando brita e plantas escolhidas para o ambiente local, a água sai totalmente limpa e sem a presença do vírus, tanto que é usada na irrigação de plantações.

Despoluição de Rios na China


Na China, em Fizhon, uma cidade industrial, um rio está sendo despoluído e outro será despoluído no país em breve com os mesmos princípios sustentáveis de engenharia e design. Nos vários canais onde mais de um milhão de habitantes despejam seus dejetos, foram instaladas umas espécies de ilhas flutuantes, com as plantas grudadas a filmes submersos e em cujas raízes se multiplicam as bactérias, que fazem a limpeza da água.

Elas são aeróbicas (utilizam oxigênio, por isso não exalam cheiro) e recebem o oxigênio através de aeradores embaixo dágua, que assim não fazem barulho e bombeiam o ar da superfície. Como são flutuantes, as “ilhas” sobem ou descem conforme o volume do canal. O custo, no caso, é de 50 mil dólares, R$ 75,00 a R$ 80,00 por pessoa e cerca de um Kilowat/hora de consumo de energia. "Há canais muito semelhantes no RJ, SP e Porto Alegre que poderiam receber sistemas semelhantes," assinalou.

À pergunta de um representante do Sindicato da Indústria da Construção Civl (Sinduscon), ele acrescentou que é possível um tratamento descentralizado de esgotos em prédios e condomínios de 200 a 300 pessoas, de até 20 andares, em sistemas pequenos de 600 metros quadrados, que poderiam ser integrados como parte dos próprios prédios, cuja água resultante poderia ser usada nas descargas, jardins, lavagem de carros e outras utilidades, menos higiene pessoal e cozinha. “É muito fácil reciclar para as descargas”, informou.

Outro exemplo bastante detalhado por Shaw é o de Harlow North, uma cidade totalmente planejada e totalmente sustentável, que será construída nos próximos anos com financiamento da British Petroleum, inicialmente para 25 mil habitantes e projeção para chegar a 65 mil. Ali deverá acontecer a integração total dos sistemas sustentáveis, energia, água, esgotos, produção de alimentos, manejo de resíduos, que é o novo desafio dos desenhos de sustentabilidade, conforme repetiu nas entrevistas que concedeu. Como a disponibilidade de água no local é de 50 litros/dia por pessoa – a média normal seria 200 litros – até mesmo as estradas serão construiídas de forma a reaproveitar a água da chuva. “É um grande desafio levando em conta o tamanho da cidade, visando o uso mínimo de energia, água, dos recursos para tratar os dejetos e assim por diante. Nas tecnologias não há nada de novo, o nosso desafio é colocar tudo junto”, explicou.

Michael Shaw foi trazido a Porto Alegre pelo diretor do Centro de Referência em Integração e Sustentabilidade (CRIS), engenheiro Jorge Geras, a convite da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam), para ser o palestrante de abertura oficial da Semana do Meio Ambiente, no auditório do Colégio Militar. O prefeito José Fogaça discursou exaltando a importância do evento e do convidado e depois se retirou para outro compromisso. Michael e Geras tinham reunião agendada com a equipe técnica do Departametno Municipal de Água e Esgotos (Dmae) no início da tarde, que foi cancelada sem maiores explicações.

A sustentabilidade deve ser planejada

MICHAEL SHAW

A sustentabilidade deve
ser planejada

Em 1972, Michael Shaw era um promissor engenheiro de uma grande indústria de construção. Havia tomado um avião de Sidney para Londres, onde morava, quando resolveu dar uma espiada no livro Limits to Growth (Os limites do crescimento, de Donella e Dennis Meadows) que acabara de ganhar de presente. O impacto que lhe causou a leitura transformou sua vida. Do alto do avião, ele descobriu que com seu trabalho estava destruindo o planeta ao retirar da natureza todo tipo de recursos naturais, sem se preocupar com o futuro. “Coincidentemente, estava voando sobre a Ásia, a Índia e a Europa e pude ver o tamanho da destruição”, lembra. Descobriu que não podia mais investir sua vida nesta atividade. Em 1974, comprou cem cópias do livro e distribuiu para antigos clientes, despediu-se do trabalho na indústria, e partiu para uma jornada em busca de alternativas. Mudou-se para uma ecovila, a Findhorn, na Escócia, da qual tornou-se um membro atuante. Fundada há 46 anos, a Findhorn é um exemplo de sustentabilidade no mundo. Lá, fundou o Ecovillage Institute e tornou-se diretor da Findhorn Foundation. O engenheiro inquieto que desceu do avião com um pensamento diferenciado, aos 69 anos virou uma referência em design integrado e tem ajudado a construir sistemas ecológicos de tratamento e recuperação de esgotos de baixo custo e eficiência comprovada. “Com o aquecimento global, e todos seus efeitos conhecidos, a emissão de toneladas de gás carbônico por pessoa, precisamos de alternativas”, diz Shaw. “Há uma necessidade de planejar a sustentabilidade, desde a energia que usamos nos prédios, a comida que plantamos, os transportes, e a forma como lidamos com os dejetos. É importante que tudo seja concentrado num sistema único”. Seus projetos estão na Rússia, na Índia, na China, nos Estados Unidos e, inclusive, no Brasil. Atualmente, entre outros trabalhos, está ajudando a planejar uma cidade-modelo em Harlow North, no sul de Londres. Shaw falou ao Extra Classe após fazer a palestra de abertura da Semana de Meio Ambiente de Porto Alegre, no dia 2 de junho.

Por Clarinha Glock

Extra Classe – Qual a diferença entre a experiência em Findhorn e a experiência que você tinha antes?
Michael Shaw – Foi um tipo de “alívio” dar um passo para fora da corporação. Eu ganhava milhões de dólares por ano, mas me dei conta de que estava no caminho errado. É difícil descrever Findhorn. Na época, eram 250 a 270 pessoas que trilhavam um caminho particular, filosófico, espiritual e ao mesmo tempo havia uma cooperação grande entre elas. Costumávamos chamar de um “experimento em vivência cooperativa”. Antes de eu entrar para Findhorn, eu estava muito focado nas coisas fora de mim: estava na indústria de construção, vivia em Londres. Findhorn tem a ver com um olhar para dentro de mim mesmo e com a descoberta do que eu sou como um ser humano e como parte da consciência.

EC – E como estas pessoas influenciaram seu trabalho de agora?
Shaw – Acho que tenho uma atitude mais impessoal com meu trabalho. Não existe tanto o “eu”. É como a ecologia acontece. Não significa que você perde a sua identidade, mas há mais consciência do que identificação com o indivíduo. É muito mais fácil se envolver com algo maior, não só com o meu pequeno mundo.

EC – Que soluções Findhorn encontrou que podem ser disponibilizadas para outros grupos?
Shaw – Findhorn tem uma longa história de cooperação com natureza, em muitos modos. É diferente de dominar ou usar a natureza, ou ser dominado por ela. É ter a natureza como uma parceira, uma professora. Pode-se aprender com seus processos, sintonizar com a terra, sentar em silêncio e ouvir. Você recebe isso espontaneamente, intuitivamente. Por exemplo: estávamos construindo uma nova área para concertos. E eu estava trabalhando na parte elétrica do edifício. E o arquiteto, que era mais velho que eu, decidiu que não haveria telefones no edifício. E a razão era que, se houvesse telefones, não se estaria usando as habilidades intuitivas para se comunicar. Se houver um telefone, você apenas vai levantar o telefone e discar. Se não houver, e você estiver no lugar certo e na hora certa, poderá falar com alguém. Esta é uma arte, ele disse, que você precisar refinar. Lembro que uma vez quebrou uma peça e eu precisava achar outra para substituir. E havia um grande almoxarifado bem organizado, e no departamento em que estava trabalhando naquela é poca eu perguntei: como acho esta peça? E ele disse: “Não tenho idéia. Você só tem que entrar na sala, fechar seus olhos, e usar sua intuição”. Eu pensei: isto é loucura, mas vou tentar. Entrei na sala, fechei meus olhos, peguei a peça, e era a certa.

EC – Como equilibrar esse respeito à natureza com os princípios do Capitalismo, sem se tornar um radical?
Shaw – Existe um entendimento, mesmo no Ocidente, de que o Capitalismo tem mais de um foco de interesse. Tem o financeiro que algumas pessoas pensam que é o único. E você pode jogar este jogo, ou não. Mas é preciso haver um equilíbrio, e acho que existe uma consciência crescente, mesmo nos países mais capitalistas, de que se não se adotar mais projetos sustentáveis, haverá uma perda. O projeto com que eu e Jorge Geras nos envolvemos na Amazônia previa tratar e reciclar a água de volta para a terra, em áreas completamente destruídas pela criação de gado, que estavam desertas, na cidade de Parauapebas. A idéia era retomar a floresta. Politicamente, o contratante decidiu não fazer isso. Interessava mais a ele manter o controle sobre a á gua. O projeto não aconteceu. Teria um custo, seria muito menor para fazer o que sugeríamos, mas era uma questão de controle e poder.

EC – O senhor desenvolveu sistemas ecológicos eficientes e baratos para tratamento de água e esgotos. Qual seria o sistema mais recomendável para cidades como Porto Alegre ou São Paulo?
Shaw – De modo geral, tem que levar em conta a cultura local de sustentabilidade. Se as administrações passadas não fizeram projetos sustentáveis, vai custar muito mais dinheiro agora do que custaria há dez anos. Mas não se pode mais dizer: vamos deixar para as próximas gerações fazerem, ou para o próximo prefeito. O design atual de sistemas de tratamento vai depender da realidade de cada cidade. Se for construir um sistema numa área nova, é relativamente mais fácil. Você pode criar a infra-estrutura, reciclagem, isso tudo é parte do design. Se for em uma parte da cidade que não tem nenhum tratamento, então tem que ser muito pragmático, avaliar se tem terra suficiente, financiamento e todo o resto. De uma forma geral, o que eu encorajaria é fazer em pequenas áreas, em vez de fazer algo massivo. Em vez de investir num sistema de 100 milhões de dólares, faça em 2 milhões de dólares, em partes, e ao menos mantenha o projeto em andamento, uma parte por vez. Fazendo desta forma, descentralizada, mas conectada uma com a outra, você pode fazer a reciclagem com um envolvimento local.

EC – O modelo utilizado, por exemplo, na China, poderia ser reproduzido em capitais e cidades brasileiras?
Shaw – Claro. Primeiro você tem que fazer uma pesquisa para saber qual é o problema. E é muito difícil saber isso, a não ser que você coloque instrumentos na água e meça o nível de poluição. Nós temos de medir a velocidade da água em cada seção, a cada 15 metros, para traçar um perfil. E tirar amostras químicas nestas áreas. Na China, vários canais recebem dejetos de milhões de pessoas. Mesmo no Brasil há muitas favelas que recebem os dejetos das cidades De que forma podemos atacar estes problemas? Usando engenharia ecológica: utilizando os seres vivos na água para fazer o tratamento da própria água. Para tratar a água poluída num rio ou num canal, você tem adicionar oxigênio. As bactérias que fazem a limpeza precisam de oxigênio. Esse sistema é constituído de forma a filtrar o cheiro que seria exalado pela água poluída. As bactérias se fixam nas raízes da plantas. Usamos um sistema de ilhas flutuantes, que acompanham a elevação do nível das águas. Existe uma camada submersa de areadores, que ejetam ar na superfície. Como é embaixo da água, não fazem barulho. Ali há bactérias que crescem, plantadas como se fosse um jardim. As plantas têm duas funções: as que têm suas raízes na água servem para que as bactérias que se alimentam da poluição se fixem nelas. E as que estão na superfície são também muito eficientes para fixar energia fotossintética e transformá-la em enzimas que as bactérias gostam, produzindo colônias maiores. As bactérias fazem o tratamento. Este sistema pode ser usado em qualquer lugar e em grandes extensões também. Vou agora a Budapeste, porque existe lá um grande lago a ser tratado. O proprietário só poderá desenvolver algo em torno deste lago e deste canal se fizer o tratamento. Vamos limpá-lo e permitir que desenvolva. É um modelo muito econômico. Pela minha experiência, posso dizer que é mais barato que construir um sistema tradicional. Custa cerca de R$ 75 por pessoa, enquanto um sistema normal custaria o dobro, porque teria de construir os tanques. A energia usada é de um kilowat por hora, o que não é muito.

EC – E este sistema pode ser usado mesmo em áreas muito contaminadas por poluição industrial?
Shaw – A demanda de oxigênio bioquímico é uma medida da poluição. O sistema de areação vai colocar mais oxigênio para atender à demanda. Uma tragédia (como a falta de oxigênio que causa a mortandade de peixes) pode atrapalhar um pouco o sistema, e demorar mais, mas ele vai compensar a falta de oxigênio.

EC – O senhor está ajudando a construir uma nova cidade no sul de Londres, Harlow North. Qual é o objetivo desta cidade?
Shaw – Muitas pessoas aposentadas tinham propriedades, porque era um investimento seguro. The British Petroleum Pension Fund tinha esta terra há 30 anos. O governo de Londres disse que era preciso aumentar o número de moradias. Fomos contratados como consultores para desenvolver uma cidade ecológica, carbo neutra (sem emissão de carbonos) porque esta é uma green zone (área verde). A cidade é dividida em distritos, e cada distrito tem cerca duas mil casas. Cada uma tem tratamento de água e esgoto, interconectados. A água potável vai vir de poços. E a água não potável será reaproveitada da chuva e de esgoto tratado para lavar carros, dar descarga de banheiro, limpar ruas. Num primeiro momento, vão morar lá 25 mil pessoas. Há uma integração entre o sistema de energia, de transporte e de dejetos. Não há nada novo, mas colocando tudo junto, o cálculo é de que haja uma economia de 10% do custo normal. É um plano audacioso, que está aguardando regulação.

Design integrado amplia resultados
O engenheiro Michael Shaw tem como parceiro no Brasil o Centro de Referência e Integração em Sustentabilidade (Cris), com sede em São Paulo. O centro dirigido por Jorge Geras desenvolve projetos na área de Design Integrado de Sustentabilidade. O “desenho integrado” consiste em reunir a experiência de engenheiros, arquitetos, educadores, comunicadores, especialistas em energia e permacultura, e outros, para desenvolverem juntos um projeto. Foi assim que surgiu o Hotel SPAventura, em Ibiúna, São Paulo.

“Antes de iniciar, a gente chamou o índio Kaka Werá, que descobriu os “chacras” do lugar onde nós iríamos construir o hotel. Kaká Werá, que é considerado um especialista em difusão de valores sagrados e da medicina da cultura indígena no Brasil, disse: ‘aqui não é melhor lugar para construir’, e nós mudamos o plano inicial, respeitando seu conhecimento”, relata Geras. O desenho arquitetônico dos chalés do hotel foi inspirado nas folhas das árvores que existem no local. Um mapeamento do entorno revelou que a população ao redor do empreendimento formava o maior pólo de produtores de alimentos orgânicos e esta característica também foi levada em conta no projeto.

Geras explica que, quando se planeja, por exemplo, um painel solar, ele pode ser inviável economicamente para uma casa isolada. “Mas a gente acabou de colocar no Instituto Baccarelli de Música energia solar com biodigestor integrado, aí foi economicamente viável. Fomos questionados pelo Grupo Votorantim sobre como havíamos conseguido viabilizar a energia solar. Na realidade, conseguimos integrar os conhecimentos e as tecnologias”, explica. “Nosso interesse maior é fomentar a sustentabilidade do ponto de vista prático, unindo construção, serviços, tudo, dando mais funções para o mesmo projeto”. (Clarinha Glock)

http://www.sinpro-rs.org.br/extraclasse/jun08/entrevista.asp

Soberania às cidades- Pagina 22 Edição 35- por por Tatiana Achcar

Mais que se preparar para o pico do petróleo e o aquecimento global, movimento mundial faz com que metrópoles e vilas desenhem uma visão própria do futuro próximo e a coloquem em prática

Num dia como outro qualquer, você dirige seu carro e ele roda suave enquanto usa gasolina. Conforme os quilômetros avançam, o tanque fica quase vazio e você começa a sentir que o combustível está acabando. O carro passa a andar aos trancos e o informa de que é preciso agir rapidamente ou ele vai parar. Logo ali adiante, em um posto de abastecimento, você resolve o problema, e se recorda, aliviado, de que ano após ano a oferta de energia foi sempre crescente. Baseado nessa comodidade reside o costume de ignorar o medidor de gasolina até que ele indique o final do tanque.

É desse mesmo modo que a sociedade industrializada encara a finitude do petróleo, sem atentar para o momento breve em que as reservas estarão meio cheias (ou meio vazias). Será justamente nesse momento de abundância que se dará a virada, conhecida como pico do petróleo. A partir do ápice virá o declínio e as extrações seguintes se tornarão mais caras, mais lentas e gastarão mais energia para obter um petróleo de qualidade inferior. Nesse caso, a tempestade virá depois da bonança.

O pico não se refere ao esgotamento total do combustível, pois sempre haverá um pouco no subsolo, mas indica que, quando for preciso gastar um barril para extrair outro barril, chegaremos, então, ao fim do petróleo barato e perceberemos, de fato, como o nosso modo de vida é absolutamente dependente do petróleo.

Será o caos? Não para as cidades, vilas e bairros que, desde já, estão se articulando para desenvolver sua capacidade de responder aos desafios que a mudança climática e o pico do petróleo imporão: crise na produção de alimentos e no abastecimento de água e de energia. Elas fazem parte do movimento Cidades em Transição, ou Transition Towns, criado pelo inglês Rob Hopkins para transformar desde cidades inteiras até pequenos condomínios em organismos sustentáveis, menos dependentes do petróleo, mais integrados à natureza e mais resistentes às crises externas econômicas e ambientais.

O movimento está presente em 14 países do mundo e já tem mais de 8 mil iniciativas de transição pensando e implementando planos de ações de curto e longo prazo. “O fundamento é que cada comunidade crie uma visão própria do futuro próximo e elabore um planejamento que considera, principalmente, o que pode ser feito agora para ser concluído entre 5 e 30 anos. Isso dá uma enorme motivação e um olhar positivo sobre o que faremos pelo destino das gerações futuras”, explica MarCelo Todescan, articulador das Cidades em Transição Brasil.

Pioneiras em ação


A cidade de Kinsale, na Irlanda, tem 2,3 mil habitantes e começou a transição em 2005, quando Rob Hopkins, então professor de permacultura do Kinsale Further Education College, elaborou, junto com seus alunos, um inovador plano de ação de energia descendente para a cidade. A experiência floresceu pela região e Kinsale ficou reconhecida por ter recebido 5 mil euros do Conselho Municipal para criar jardins comunitários, projetos escolares e panfletos informativos.

Com 8,5 mil pessoas, Totnes foi a primeira cidade do Reino Unido a aderir ao movimento. No início, em 2006, o trabalho esteve voltado para sensibilizar a população sobre os desafios futuros com várias palestras públicas, eventos e sessões de filmes. No ano seguinte, a organização estruturou-se, ganhou escritório próprio e uma equipe para levantar fundos. Desde 2007, Totnes tem sua moeda própria, a libra de Totnes, com valor equivalente à libra esterlina e aceita em mais de 70 estabelecimentos locais, e alguns oferecem descontos em compras com a moeda local. São cafés, butiques, açougues, mercados, barracas de feiras, escolas de dança, farmácias, gráficas. A medida ajuda a fortalecer a economia local, na qual são identificadas novas oportunidades de negócios, produtos e serviços alinhadas ao uso reduzido de energia.

Localizar e articular

Essencialmente, são dois os caminhos para reduzir o consumo de energia e tornar-se uma comunidade mais resiliente: “relocalizar” recursos e atividades e articular a inteligência coletiva da comunidade. O primeiro significa desenvolver, por meio de grupos de trabalho específicos, estruturas e atividades locais nas áreas de alimentação, saúde, lixo, energia, educação, economia, transportes, água, governança local, juventude. O segundo caminho trata de articular e mobilizar grupos de ações novas e já existentes, poder público, empresas, moradores, associações, ONGs e escolas, para facilitar o processo de transição. “Ganha-se sinergia ao se juntar diferentes ações”, diz Todescan.

Na verdade, as Cidades em Transição não estão reinventando a roda – e nem seria preciso, tamanha a quantidade de conhecimento disponível sobre meio ambiente, sociedade e economia. Para criar planos de transição próprios, as comunidades se valem de documentos universais, como Agenda 21, de diretrizes nacionais, de planos diretores municipais, de uma longa lista de filmes e livros, que inclui clássicos como Uma Verdade Inconveniente, de Al Gore, e de uma série de princípios e práticas que foram criados ao longo do tempo por meio da experiência e da observação de comunidades, à medida que avançavam no desenvolvimento da resiliência local e na redução das emissões de carbono. “Não existe uma receita nem um modelo pronto, afinal, sustentabilidade é um conceito em desenvolvimento que abrange temas ambientais, sociais, econômicos e culturais. Cada localidade descobre e define seus meios para enfrentar os desafios atuais”, alega Todescan.

É na maneira positiva e transparente de abordar problemas e soluções e na metodologia simples e multiplicável que esse movimento tem-se espalhado ao redor do mundo. Em primeiro lugar, reforça que é preciso reconhecer que a mudança climática e o pico do petróleo exigem ação conjunta e imediata. E que a vida com menos energia é inevitável e é melhor ter um plano do que ser pego De surpresa. “Se planejarmos e agirmos em tempo hábil, e usarmos nossa criatividade e cooperação para liberar o gênio de nossas comunidades locais, poderemos construir um futuro bem mais pleno, rico, conectado e gentil com a Terra do que os modos de vida de hoje”, descreve o Manual das Iniciativas em Transição, elaborado por Ben Brangwyn e Rob Hopkins e disponível no site do movimento em mais de dez idiomas. (Acesse o manual em português).

A metodologia prevê doze passos no processo de transição, que foram elaborados com base na observação do que funcionou nas iniciativas de Totnes e Kinsale. Orienta também como lidar com as barreiras iniciais, reais e imaginárias que aparecem no caminho.

Por meio de um mapeamento via satélite, a pequena ilha de Waiheke, na Nova Zelândia, descobriu muita terra cultivável em desuso. O grupo do movimento voltado para o tema da alimentação criou um projeto de compartilhamento de quintais para criar hortas e aproximar pessoas que possuem terras improdutivas às pessoas que querem cultivar alimentos – normalmente idosos que gostariam de ter mais interação social e transmitir conhecimentos sobre agricultura urbana.

Os habitantes da cidade californiana de Santa Cruz, que estão concentrando a transição em quarteirões, têm feito palestras, workshops e mutirões para resgatar habilidades que parecem coisa do passado, mas que são essenciais para moldar uma sociedade resiliente e sustentável. Os temas incluem permacultura, jardinagem orgânica, compostagem, marcenaria, coleta de água de chuva, construção ecológica, criação de animais, produção de itens de limpeza e de conserva de alimentos, entre outros.

Brasil: pré-sal ou pós-petróleo?

Enquanto diversas experiências pipocam no mundo, no Brasil corre-se o risco de o présal empurrar o País no sentido oposto das iniciativas inteligentes mundiais. “A recente descoberta de novas reservas petrolíferas vai retardar o pico do petróleo por aqui”, afirma Todescan. No entanto, quatro municípios – além do subdistrito da Granja Viana, na região oeste da Grande São Paulo – já estão se preparando para a crise: Porto Alegre, Brasília, Serra (ES) e São Paulo, que, assim como Londres, vai adotar o modelo por bairros. Graças a uma parceria da Secretaria do Meio Ambiente com a Fundação Alphaville e o grupo articulador do movimento no Brasil, Serra é a primeira cidade da América Latina a assinar o documento oficial das Cidades em Transição. Deflagraram o problema da enorme quantidade de resíduos sólidos nos lixões da cidade e traçaram um plano de implementação da coleta seletiva dentro de um ano. Esse é apenas o começo.

por Tatiana Achcar

http://pagina22.com.br/index.php/2009/10/soberania-as-cidades/

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Restaurante ecológico

Brasil ganha primeira unidade da rede McDonalds da América Latina construída dentro da cartilha de construção sustentável

Eficiência energética, utilização da água da chuva, aquecimento de água por meio de energia solar e melhor aproveitamento de luz natural. Esses são alguns dos conceitos empregados pela equipe da Todescan Siciliano Arquitetura na construção do primeiro restaurante ecológico do McDonald’s na América Latina, inaugurado em dezembro, em Bertioga, no bairro de São Lourenço, litoral de São Paulo.

A obra seguiu vários conceitos de preservação ambiental, desde a escolha do material à conclusão. Na construção foi privilegiado o uso de materiais reciclados e recicláveis de baixo impacto ambiental, como tijolos de demolição, madeira com certificação de manejo florestal, tintas com solução à base de água, além de revestimentos de cerâmica feitos a partir de restos de lâmpadas fluorescentes. Materiais de fontes facilmente renováveis como o bambu, casca de coco e palha de arroz foram usados na decoração para criar divisórias e luminárias.

A área construída tem 310m² e possui amplos salões envidraçados, com pé-direito duplo para permitir maior aproveitamento da luz externa. A tecnologia de ponta (domótica) empregada na construção mede a ventilação no interior do restaurante e, sempre que ela for considerada suficiente, aciona o desligamento automático do ar condicionado, sem a interferência do ser humano. Toda a iluminação do salão é feita com lâmpadas tipo led, de baixo consumo de energia elétrica. Já a iluminação externa é feita com placas fotovoltaicas (energia solar).

A água da chuva será coletada para irrigar as mudas de mata nativa que fazem parte do projeto de paisagismo. Ainda na área externa, o projeto visa estimular o uso de veículos com energia limpa. Para isso, o estacionamento conta com um bicicletário e prioridade para vagas de estacionamento para carros híbridos.

Com essa nova medida reafirmamos o compromisso mundial do McDonald's com o meio ambiente e nos colocamos, uma vez mais, na vanguarda do que há de mais avançado em construção, operação e manutenção de restaurantes em todo o mundo", diz Flávia Vígio, vice-presidente de Comunicação da Arcos Dourados, empresa responsável pela administração dos restaurantes da rede na maior parte da América Latina. A executiva ressalta que pesquisas realizadas indicaram que os novos restaurantes reforçarão os laços com os clientes: "Eles manifestam a preferência por empresas que se preocupam com a preservação do planeta e qualidade de vida das comunidades onde atuam".

Sustentáveis
A Arcos Dourados planeja instalar unidades dentro dos mesmos moldes também na Costa Rica e Argentina. Como no Brasil, elas seguirão as normas da certificação internacional da Leadership in Energy and Enviromental Design (Leed) e estarão aptas a pleitear o selo da organização a partir do funcionamento.

"O novo conceito será implantado nas inaugurações dos novos restaurantes sempre que houver tecnologia, equipamentos e materiais disponíveis", informa Flávia Vígio. Entre as soluções adotadas, destaque para medidas para diminuir o consumo de recursos naturais, como a utilização de pisos de material reciclado, tinta ecológica, madeira certificada, proveniente de árvores extraídas de zonas de replantio e o uso de materiais ecológicos de fontes renováveis e de produção regionalizada, como pastilhas de casca de coco e de bambu. As unidades também terão equipamentos para captação da água da chuva e farão o melhor aproveitamento da luz natural.

As vantagens ambientais dos "restaurantes verdes" são significativas. Comparados a unidades similares, permitem uma redução de 14% do consumo de energia e de 50% do de água potável, representando uma economia de 50 mil KW e de 217 mil litros de água por ano. Contribui para essa diminuição o fato de a carga térmica instalada para refrigeração ser 25% menor e de a luz solar responder por uma parcela de 2,5% do total da energia consumida.


Cynthia Ribeiro

Fonte: http://www.responsabilidadesocial.com/article/article_view.php?id=777

quinta-feira, 1 de outubro de 2009